Monteiro Lobato era racista ?

27/04/2012 | 1 Comentário

O debate é antigo, mas vira e mexe, ele vem à tona: Monteiro Lobato era racista? Na grande maioria de suas obras, há personagens negros. Porém, em quase todas elas, eles são representados com aquele estereótipo racista. É o caso do “Sítio do Pica Pau Amarelo”, seu livro mais conhecido.

Na obra, logo desperta a atenção a figura de Tia Nastácia. Francamente eugenista (filosofia que prega que os brancos são uma raça superior), em diversos trechos, o personagem é chamado de “preta beiçuda”, “preguiçosa”, “grosseira” ou “bárbara”. Na mesma linha é classificado também o Saci Pererê, personagem típico do folclore brasileiro.

Recentemente, em 2011, as tendências racistas lobatianas vieram à tona mais uma vez. Em função de um parecer do Conselho Nacional de Educação, o livro “Caçadas de Pedrinho” deixou de ser distribuído às escolas públicas, pois há presença de estereótipos racistas. O debate criou polêmica: escritores, educadores e especialista em literatura infantil se posicionaram. No fim das contas, o ministro Fernando Haddad foi contra o parecer do Conselho e tudo ficou como antes.

Para especialistas, não há dúvida da condição racista de Lobato. Como a maioria dos homens brancos da alta aristocracia da década de 30 e 40, ele carregava os resquícios escravocratas. Isso é retificado por Zinda Maria Carvalho de Vasconcelos no livro “O universo ideológico da obra infantil de Monteiro Lobato”, que apresenta o seguinte trecho: “Apesar de no início da geografia ser dito que só há grande diferença entre os habitantes da Terra na cor da pele (uma questão de pigmentos), no decorrer dos livros percebe-se que há certos povos considerados superiores”.

Em 2011, uma carta foi divulgada com exclusividade pela revista BRAVO!, na qual o autor de “O Sítio do Picapau Amarelo” faz uma defesa engajada das ideias eugenistas. Os textos são destinados ao escritor Godofredo Rangel e aos cientistas Renato Khel (1889-1974) e Arthur Neiva (1880-1943) e foram escritos por volta de 1928.

A sua simpatia com a Klu Klux Klan e com as experiências eugenistas nos Estados Unidos, demonstrada na reportagem da revista Bravo são demonstrações de que o projeto de nação de Lobato era fruto de um inconformismo, um mal estar de viver em uma nação pobre, subdesenvolvida e com população com características muito diferentes da civilização européia.

Por isso, suas posições políticas oscilaram de uma postura mais radical (este povo não tem jeito mesmo) ao paternalismo-autoritário (tem jeito desde que dermos um jeito neles). Por isto, Lobato foi também um entusiasta do movimento sanitarista no Brasil e foi apoiado por estes e pelos eugenistas que foi publicada a segunda versão do Jeca Tatu (tida como um ajuste de contas com a primeira versão considerada preconceituosa contra o tipo “caipira”).

Monteiro Lobato defendia um projeto nacional dentro de uma perspectiva conservadora e, como consequência disto, o racismo aparece como um elemento crucial na sua visão política. Mas, apesar das evidências racistas, a obra do autor ainda é difundida como água entre as crianças.

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Comentários (1)

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  1. Prbc disse:

    Monteiro é tão racista quanto vocês são.

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