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Quem foi a Escrava Anastácia?

23/11/2011 | 2 Comentários

Escrava Anastácia (Pompéu, 12 de Maio de 1740 — data e local de morte incertos) é uma personalidade religiosa de devoção popular brasileira, adorada informalmente pela realização de supostos milagres. A própria existência da Escrava Anastácia é colocada em dúvida pelos estudiosos do assunto, já que não existem provas materiais da mesma.

O seu culto foi iniciado em 1968 (Ano Internacional dos Direitos Humanos decretado pelas Nações Unidas), quando numa exposição da Igreja do Rosário do Rio de Janeiro em homenagem aos 90 anos da abolição, foi exposto um desenho de Étienne Victor Arago representando uma escrava do século XVIII que usava máscara de ferro (método empregado nas minas de ouro para impedir que os escravos engolissem o metal).

No imaginário popular, a Escrava Anastácia foi sentenciada a usar a máscara por um senhor de escravos despeitado com a recusa de Anastácia em manter relações sexuais com ele.
A máscara seria retirada apenas para que ela fizesse as refeições, e a escrava terminou por morrer de maus-tratos, em data ignorada.

Nos meios que militam as lideranças negras, femininas ou masculinas, fala-se muito sobre quem foi e como teria sido a vida e a história da Escrava Anastácia, encarada como santa em muitas comunidades religiosas brasileiras.

Pelo pouco que se sabe desta grande mártir negra, ela foi uma das inúmeras vítimas do regime de escravidão no Brasil. Em virtude da escassez de dados disponíveis a seu respeito, pode-se dizer, porém, que o seu calvário teve início em 9 de Abril de 1740, por ocasião da chegada no Rio de Janeiro de um navio negreiro chamado “Madalena”, que vinha da África com carregamento de 112 negros Bantus, originários do Congo, para serem vendidos como escravos nesse país.

Entre esta centena de negros capturados em sua terra natal, vinha, também, toda uma família real, de “Galanga”, que era liderada por um negro, que mais tarde se tornaria famoso, conhecido pelo nome de “Chico-Rei”. Delmira, mãe de Anastácia, era uma jovem formosa e muito atraente pelos seus encantos pessoais, e, por ser muito jovem, ainda no cais do porto, foi arrematada por um mil réis. Indefesa, esta donzela acabou sendo violada, ficando grávida de um homem branco, motivo pelo qual Anastácia, a sua filha, possuía “olhos azuis”, cujo nascimento se verificou em “Pompeu”, em 12 de Maio, no centro-oeste mineiro.

Antes do nascimento de “Anastácia”, a sua mãe teria vivido, algum tempo, no Estado da Bahia, onde ajudou muitos escravos, fugitivos da brutalidade, a irem em busca da liberdade. A história nefanda se repete: Anastácia, por ser muito bonita, terminou sendo, também, sacrificada pela paixão bestial de um dos filhos de um feitor, não sem antes haver resistido bravamente o quanto pôde a tais assédios; depois de ferozmente perseguida e torturada, a violência sexual aconteceu.

Apesar de toda circunstância adversa, Anastácia não deixou de sustentar a sua costumeira altivez e dignidade, sem jamais permitir que lhe tocassem, o que provocou o ódio dos brancos dominadores, que resolvem castigá-la ainda mais colocando-lhe no rosto uma máscara de ferro, que só era retirada na hora de se alimentar, suportando este instrumento de supremo suplício por longos anos de sua dolorosa, mas heróica existência.

As mulheres e as filhas dos senhores de escravos eram as que mais incentivavam a manutenção de tal máscara, porque morriam de inveja e de ciúmes da beleza da “Negra Anastácia”. (Onde o seu espírito, combate a inveja, ciúmes e a injustiça).

Anastácia já muito doente e debilitada, é levada para o Rio de Janeiro onde vem a falecer, sendo que os seus restos mortais foram sepultados na Igreja do Rosário que, destruída por um incêndio, não teve como evitar a destruição também dos poucos documentos que poderiam nos oferecer melhores e maiores informações referente à “Escrava Anastácia” – “A Santa” (assim, é venerada dentro da religião afro-brasileira), além da imagem que a história ou a lenda deixou em volta do seu nome e na sua postura de mártir e heroína, ao mesmo tempo.

Descrita como uma das mais importantes figuras femininas da história negra, Escrava Anastácia é venerada como santa e heroína em várias regiões do Brasil. De acordo com a crença popular, a Escrava Anastácia continua operando milagres. Há rumores sobre a existçencia de um santuário em sua homenagem no bairro Vaz Lobo, Zona Norte do Rio de Janeiro.

Sua história de milagres e resistência já foi retratada em filmes e nos palcos brasileiros. Ela também é cultuada como santa na África.

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Comentários (2)

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  1. Cleia disse:

    Gostaria de relatar o que considero minha cura, pois ainda estou aqui nesta vida para contar. Morei no Rio entre 1986/1989, um dia andando recebi um santinho da Escrava Anastácia, li a oração encantada e impressionada com ela, guardei na bolsa e sempre fazia a oração dela
    acabei mais tarde me separando e voltei a morar no interior do Paraná com minhas duas filhas na época com 5 e 9 anos. Com a separação minha filha mais velha engravidou aos 13 anos, dia 22 de julho de 1992 nasceu a criança uma linda menina, o pai não assumiu, eu dei toda assistência, amor, carinho, apesar de todas as dificuldades, pois tive que recomeçar sozinha com duas crianças e agora seriam três, minha filha tadinha uma criança ainda com 14 anos mal cuidava dela, após três meses de UTI NEO NATAL por ter nascido prematura, a levamos para casa muito pequeninha, frágil, passaram alguns dias ficou muito doente o padre foi batiza-la no hospital e assim ela ficou por vários dias, recorri a Santa Anastácia
    hoje ela está com 21 anos. Eu após 3 AVCs, causados por microangiomas cerebrais desde 12 maio 1993 quando tive o primeiro, mas minha mentora, ou Santa a quem sou devota, pode chamar como quiser, mas estamos aqui para provar. Um abraço Cleia

  2. Edna Baraúna disse:

    relatos históricos como este deveriam ser melhor divulgados, a fim de que o povo brasileiro entedesse suas origens e procurasse progredir com pleno conhecimento de suas verdadeiras raízes; istoé – sem fatos mascarados ao prazer dos interesses dominantes. O Brasil não crescerá sem reconhecer e respeitar suas origens, qualidades e defeitos das mesmas.

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