A Sociedade Britânica de Tricologia anunciou no início de junho que quer banir o alongamento capilar que usa cola para juntar os fios, devido aos danos causados pela técnica aos cabelos naturais, o famoso mega hair. Segundo a instituição, as peças colocam muita pressão nos folículos do couro cabeludo e eles podem ficar inflamados fazendo o cabelo cair, dano conhecido como alopecia por tração.
A demanda pelo megahair aumentou 40% nos últimos anos, em função da popularização desse recurso entre as celebridades, como Naomi Campbell, Beyoncé, Rihanna e muitas outras. Por outro lado, também houve um grande crescimento da procura por ajuda, devido a danos causados pelos alongamentos, de acordo com o especialista em cabelo e couro cabeludo Steve O’Brien, do Instituto de Tricologistas do Reino Unido.
Ele diz que dois anos atrás, o Centro de Tricologia de Londres tratava 30 pessoas por mês, e agora esse número subiu para 50, e está aumentando.
Há muitos tipos de alongamento. Em muitos cabeleireiros, são vendidos os cabelos naturais, para depois serem aplicados no cabelo. O megahair pode ser encontrado à venda em salões e na internet. Segundo a Sociedade Britânica de Tricologia, quanto mais longos, maior o dano causado ao cabelo natural.
Há diferentes formas de aplicar as mechas, como tecelagem, colagem e cera. A química usada pode ressecar o cabelo, enfraquecendo-o e tornando-o mais propenso a quebrar. O método mais usado é o de microanéis. Mas é o método que usa cola que os especialistas agora querem banir, pois alegam que os elos enfraquecem o cabelo na raiz.
Há muitas controvérsias sobre o assunto. A usuária Renata Campos, de 26 anos, diz que sua vida mudou depois do megahair.
- Eu me sinto uma nova mulher depois que coloquei um aplique de cabelos naturais. A diferença que faz na autoestima é muito
grande, mas reconheço que pode causar danos ao cabelo. Mas acho que se for feito da forma certa, com um profissional de qualidade, e se tiver cuidado, não traz perigo.
A cabeleireira Dany Bruno, do Denys Beauty de Salvador, diz que o método da cola ou da queratina precisam de uma temperatura muito grande para unir a mecha ao cabelo.
- Acredito que cabelos com muita química e os muito finos não suportam a agressão. O profissional deve ter muita pericia na hora de unir os dois e atenção redobrada na distribuição de quantidades em cada cabelo, pois o peso pode forçar a raiz.
Ela afirma que com o tempo de pesquisa, não trabalha mais com este método, mas sim com o nó italiano, que exige cuidados diários, além de abdicação ao uso de tintas e pranchas. Segundo ela, o implante fica mais discreto.
- O método italiano precisa ser refeito a cada 2 ou 3 meses. É um nó que liga os fios naturais ao mega hair. No entanto, todo método pode danificar o cabelo. Cuidar dos fios e escolher o profissional ideal são as principais medidas antes de adotar os fios longos – conclui.
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