Cabo Verde é um país africano constituído por dez ilhas, curiosamente, o cabo Verde que dá nome ao país não se situa nele, mas a centenas de quilômetros a leste, no Senegal.
As ilhas de Cabo Verde têm poucos recursos,os mais relevantes são a agricultura e a riqueza marinha do arquipélago, sendo que o primeiro é frequentemente afectado por secas. A agricultura é prejudicada pela falta de chuvas regulares e está restrita a apenas quatro ilhas. O PIB (produto interno bruto:representa a soma em valores monetários dos bens e serviços finais produzidos em uma certa região) é produzido, em sua maior parte, pelo sector terciário.Portugual tem fortemente cooperado e ajudado Cabo Verde a nível económico e social, o que resultou na indexação de sua moeda, o escudo cabo-verdiano , ao euro, e no crescimento de sua economia interna.
A falta de recursos endógenos condena Cabo Verde à total dependência do exterior, podemos dizer que desde os primeiros dias do seu povoamento as ilhas se confrontaram com devastadoras crises de falta de chuva e conseqüente falta de meios para assegurar o sustento e a saúde do seu povo.
Cabo Verde corre o risco de ter a dengue como doença endémica. Conforme o demonstrado pela epidemia que assola o arquipélago há três meses, as condições ambientais para isso existem e se não forem adaptadas medidas firmes de saúde pública, a situação poderá agravar-se com os anos.
Deve-se continuar com as ações de combate ao mosquito por muito mais tempo e de forma sistemática e regular, para que a popolação conheça não só a doença, seus sintomas e o que ela pode causar, mas principalmente como evitá-la.
O mosquito da dengue, o aedes aegypti, já existia no arquipélago, mas ainda não estava infectado.A sociedade cabo-verdiana ainda não tinha tido contacto com o vírus da dengue e, por isso, não tinha uma ‘”memória imunológica”, isto é, um sistema de defesa consistente”,isso faz com que o risco seja maior, pois a população não possui anticorpos para a doença, ou seja, todos correm o risco de ficarem doentes.Houve uma campanha nacional de limpeza, mas apenas isso não basta, a luta deve ser constante pois o mosquito vector da dengue não fica longe do local onde nasceu.
O médico e parasitólogo colombiano Edwin Pile, que vive em Cabo Verde há cinco anos,diz que no seu ciclo o aedes aegypti pica o organismo e este, por sua vez, cria os anticorpos de defesa para o combater. Por ser um “vírus invencível”, os anticorpos atacam as paredes dos vasos sanguíneos e aumenta com isso a lesão existente no local. E se não forem reforçados os cuidados, por vezes, dá-se o “choque hipovolémico”, isto é, a chamada “síndrome de choque”, também conhecida por “dengue hemorrágica”.
O vírus veio do Brasil onde existe a dengue 3. Trata-se de um tipo que sempre esteve associado a epidemias por causa da sua constante e rápida taxa de evolução. É o que está a acontecer em Cabo Verde, onde a epidemia vai passar para endemia, ou seja, nas próximas temporadas vão surgir poucos casos porque não se vai conseguir, de maneira nenhuma, erradicar a doença.
“Para evitar a propagação deve-se ter em conta as medidas de prevenção e é preciso o envolvimento de todos, das autoridades de saúde pública, as câmaras municipais e sobretudo os cidadãos”. Edwin Pile
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