Os “Capitães da Areia” – Pedro Bala, Professor, Gato, Sem-Pernas, Boa Vida e Dora – são personagens que Jorge Amado um dia criou para habitarem eternamente na memória de seus leitores. Abandonados por suas famílias, eles são obrigados a lutar para sobreviver nas ruas de Salvador. A história destes personagens imortais da literatura mundial chega aos cinemas brasileiros no mês que vem, e terá no elenco jovens e crianças de Salvador.
O filme “Capitães de Areia”, baseado no livro de Jorge Amado tem estreia marcada para 14 de outubro. A adaptação faz parte das comemorações do centenário do escritor, que será em 2012. Quem dirige é Cecília Amado, neta do baiano, que comandará um longa pela primeira vez. A trilha sonora é assinada por Carlinhos Brown.
Os capitães e os menores abandonados que movimentam o romance são interpretados por jovens desconhecidos do público. Para o longa-metragem, Cecília foi buscar atores em oficinas culturais de ONGs que atuam na periferia soteropolitana, como o Olodum, o Ilê Aiyê e o Projeto Axé.
- A seleção foi a parte mais interessante. Trabalhamos com 90 adolescentes por quase um ano até chegar ao elenco principal, com 12 meninos. O processo de preparação da turma foi emocionante! Eles se abriram, contaram suas histórias de vida, as dificuldades e a superação – disse a diretora.
A opção de trabalhar com atores formados em comunidades carentes foi baseada em experiência anterior da cineasta. Cecília foi assistente de direção da série “Cidade dos homens” (2004-2005), da TV Globo.
- Acho estimulante trabalhar dessa forma, o resultado é autêntico. Os meninos são da periferia, do Pelourinho principalmente, então havia uma identificação grande com os ‘capitães’ do livro.
Cecília é a primeira diretora brasileira a contar a história de “Capitães de areia” no cinema. Ironicamente, foi um americano que visualizou um filme na história de Jorge Amado.
Com o título de “The Sandpit Generals”, a história foi contada nas telas em 1971 por Hall Bartlett e trazia os atores Kent Lane no papel de “Bullet” (Pedro Bala) e Guilherme Lamounier com “The Cat” (Gato).
- Nunca consegui assistir essa cópia, é raríssima! Parece que fez bastante sucesso na Rússia. Me disseram que o Dorival Caymmi aparece em cena cantando em russo.
Cecília acredita que Amado aprovaria a releitura cinematográfica de sua história, que, segundo ela, já foi lida por mais de 5 milhões de pessoas no mundo todo. Mas a neta do escritor certamente esperaria ouvir algumas ressalvas – plenamente compreensíveis para ela.
- Meu avô tinha muita dificuldade em ver as adaptações que faziam dos livros… Mas consigo entendê-lo. Deve ser estranho ver materializado todo aquele universo que um dia ele inventou.
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