Ela ficou conhecida como a “diva dos pés descalços”. Responsável por colocar Cabo Verde no mapa da música mundial, a lendária cantora Cesária Évora morreu no último dia 17 de dezembro, aos 70 anos, e deixou fãs carentes em todo o mundo.
A intérprete havia abandonado definitivamente os palcos há três meses, por problemas de saúde. Há anos, sofria de problemas cardíacos, e já havia se submetido a uma cirurgia em 2010. Conhecida como cantora de bares na cidade de Mindelo, na Ilha de San Vicente, a ascensão de Évora veio tardiamente, em 1992, próximo dos seus 50 anos, após o lançamento do CD “Miss Perfumado”, seguido por shows triunfantes em Paris e em Lisboa.
Antes do estrelato, Cesária também ganhou notoriedade por suas interpretações da “morna”, a música folclórica típica de Cabo Verde.
- Nossa música é muitas coisas. Alguns dizem que ela é como o blues ou o jazz. Outros dizem que ela é como a música brasileira, ou a africana, mas ninguém sabe realmente. Nem mesmo os mais velhos -, disse Cesária em entrevista à Associated Press em 2000.
A cabo-verdiana também ficou conhecida como a “diva dos pés descalços”, título de seu primeiro disco (lançado em 1988), por cantar sem sapatos em suas atuações, uma homenagem aos mais pobres; e pelas letras de suas canções, frequentemente dirigidas a essas pessoas.
O passado da artista escondia uma amarga história: perdeu o pai – que também era músico – ainda criança e cresceu em péssimas condições financeiras, morando com a avó e os quatro irmãos. A educação severa e religiosa que recebeu, permitiu que ela desconsiderasse a moralidade excessiva e se tornasse conhecida por seus pensamentos livres.
A carreira musical começou cedo. Aos 16 anos, ela já se apresentava em bares e hotéis da região, junto com seus irmãos, que também seguiram a profissão artística. No ano em que Cabo Verde tornou-se indepente (1975), Cesária abandonou a música para sustentar a família. O período acabou se prolongando por 10 anos, e era chamado de “Dark Years” pela cantora.
Em 2004 conquistou um prêmio Grammy de melhor álbum de world music contemporânea. A artista se apresentou algumas vezes e no Brasil e, em 2008, abriu a Virada Cultural, em São Paulo (SP). Em 2009, recebeu a insígnia da Ordem da Legião de Honra da França pelo presidente Nicolas Sarkozy, depois de mais de 45 anos de carreira musical, incluindo seus 14 álbuns.
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