O estilo black está evidente nas roupas e nos cabelos. Sua pose de machão o torna irresistível para as mulheres. Shaft, o destemido detetive que combate o crime organizado nas ruas de Nova York, ilustrado no filme homônimo de 1971, acaba de completar 40 anos com pinta de garotão.
Negro, impávido e sem medo de enfrentar o perigo, “Shaft” revolucionou o cinema, mostrando o conflito entre brancos e negros na grande metrópole. Porém, desta vez o negro não é o bandido e sim, o mocinho. Shaft é um personagem cheio de dilemas sobre o certo e o errado. Defender seus irmãos negros, ou respeitar a justiça?
O filme causou furor na época de sua estreia, pois pela primeira vez, o negro não era condicionado ao papel de bandido em um filme de ação. Interpretado por Richard Roundtree, o personagem acabou eternizado e tornou-se um dos mais importantes da história do cinema, não somente por sua relevância cultural, mas também por sua irreverência estética.
“Shaft” é a principal referência da Blaxpoitation, um subgênero que invadiu os cinemas nos anos 70, acentuando a ascensão social dos negros nos grandes centros urbanos americanos. Esse público precisava de filmes que os identificasse com sua realidade, e assim nasceu “Shaft”. Sucesso absoluto de bilheterias, ainda assim, recebeu críticas de ativistas negros na época, que acusaram o filme de estereotipar os personagens, e não se aprofundar em questões raciais.
Na verdade, essa não era a intenção, e com razão. Se fosse feito de outra forma, o longa ia perder a vitalidade do roteiro. Foi “Shaft”
que abriu espaço para sucessos seguintes, como “Um tira da pesada”, com Eddie Murphy; e “Faça a coisa certa”, de Spike Lee.
“Shaft” marcou tanto a cultura americana, que, em 2000, o filme entrou para o National Film Registry do Congresso Americano, por sua relevância histórica e estética para a nação. Após o grande sucesso, duas continuações foram produzidas para o cinema nos anos seguintes, “Grande Golpe de Shaft” (Shaft’s Big Score) e “Shaft na África”, ambas com Richard Roundtree no papel principal. A primeira ainda rendeu frutos e faturou altas cifras de bilheteria, mas a segunda deu até prejuízo.
Após os filmes, foi criada uma série de TV, que também não foi lá um grande êxito. E, em 2000, o personagem John Shaft voltou às telonas, interpretado por um veterano, Samul L. Jackson. Apesar da força do remake, que arrecadou mais U$ 100 milhões apenas no mercado americano, o ator se recusou a produzir uma continuação.
Apesar disso, “Shaft” mantém-se como um dos mais importantes filmes para a cultura negra, e o detetive mais destemido dos anos 70, mesmo 40 anos depois, ainda está em boa forma.
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