Nos anos 70, surgiu nos Estados Unidos um novo gênero cinematográfico, criado por diretores negros, que refletia os sentimentos da juventude, as conquistas do movimento dos direitos civis e a força política do movimento Panteras Negras. Nele, os heróis e anti-heróis negros eram os protagonistas das suas próprias histórias. Este cinema marginal, ligado à música soul, que levou todos os clichês às últimas consequências, ficou conhecido como blaxploitation.
A mostra Tela Negra: o Cinema do Blaxploitation promovida pelo Centro Cultural Banco do Brasil, em correalização com o SESC São Paulo, toma as telas em novembro no Rio de Janeiro e em São Paulo. Uma homenagem ao gênero que teve grande influência em Hollywood e ao redor do mundo.
Uma rara oportunidade de (re)ver os principais títulos blaxploitation, quase todos em película. Uma seleção de 15 filmes que formam um panorama do gênero, entre eles Rififi no Harlem (Cotton comes to Harlem), o primeiro filme blaxploitation; Super Fly, que faturou US$ 20 milhões nas bilheterias americanas em 1972, desbancando O Poderoso Chefão; os clássicos Sweet Sweetback´s Badaaassss Song, Shaft, Cleopatra e Foxy Brown; além de Jackie Brown, de Quentin Tarantino, um tributo ao blaxploitation.
Tela Negra: o Cinema do Blaxploitation terá debates sobre a influência do cinema afro-americano dos anos 70 na construção da imagem negra internacional e no Brasil, além de uma palestra sobre o surgimento e a inovação do gênero blaxploitation. Um cinema que refletiu a face lúdica da efervescência da cultura negra americana e os movimentos de libertação africana pelo mundo nos anos 70, se fazendo sentir até hoje no cinema, na moda e na cultura hip-hop.
“O herói blaxploitation é o grande conquistador, hipersexualizado e sempre glamouroso mesmo no auge da violência, que transforma em virtude a esperteza, desafiando a moral e os bons costumes, lutando contra quem atravessa o seu caminho. Os enredos dos filmes captaram os anseios da população negra de alcançar uma ocupação verdadeira de todos os espaços sociais. Nessa época, o filme que teve maior impacto no Brasil foi Wattstax, documentário musical que causou furor entre a juventude black carioca e paulista”, declaram os curadores Vik Birkbeck e Arndt Roskens.
Serviço:
Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro – Sala de Cinema 1 (102 lugares)
Rua Primeiro de Março 66, Centro, tel (21) 3808-2020
CINEPASSE: R$ 6 e R$ 3 (meia), válido durante a mostra, para acesso à sala de cinema 1, por meio de senhas. As senhas deverão ser retiradas 1h antes de cada sessão.
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