Conhecido por seu trabalho como humorista do Casseta & Planeta!, que permaneceu por 18 anos no ar, o carioca Hélio de La Peña é muito mais do que apenas engraçadinho. Engenheiro de produção por formação, Hélio também trabalhou com redator da TV Pirata, é autor de três livros e esbanja simpatia.
Hoje, Hélio também carrega a imagem de um bom pai. Desde que escreveu “O Livro do Papai”, lançado em 2003, o humorista participa de eventos e concede entrevistas afirmando que um de seus mais importantes papéis na vida foi ter filhos.
Impagável, Hélio conversou com a Revista Afro, e falou sobre o retorno do Casseta, sobre a onda do humor certinho, sobre os filhos, sobre o seu blog, projetos sociais e muitos outros assuntos. Confira:
Revista Afro: Além do blog no jornal O Globo, como andam os seus projetos na TV?
Hélio: Além do meu blog www.heliodelapena.com.br, tenho feito muita coisa, escrevo em outros blogs (Blog Alvinegro e Blog da Brastemp), em revistas, estou preparando um outro clipe com o galo frito, nos moldes do Justin Biba pra lançar na web. Durante o mês de agosto e comandei um quadro no Fantástico chamado “É pai, É pedra…” sobre pais de primeira viagem. Criei, fiz o roteiro e contei com a atuação do Bruno Mazzeo e da Gabriela Duarte. Mas o fundamental no momento é a reformulação do Casseta & Planeta. Estamos preparando nossa volta para 2012.
R: Você escreve muito bem e já lançou três livros, o último no ano passado. Tem planos de lançar um próximo?
H: Olha, no momento não estou escrevendo nenhum livro, mas no futuro quero embarcar nessa viagem mais uma vez. É preciso ter uma boa ideia e tempo pra curtir com calma o desafio. Agora, além do Casseta e dos roteiros do Fantástico, tenho me dedicado a textos curtos de uso mais imediato, mas quero fazer algo de fôlego.
R: Você participa de projetos com a Cufa. Qual é a importância de desenvolver projetos sociais para os jovens?
H: Importantíssimo. O jovem olha com certa desconfiança para quem chega de fora com o discurso de que quer ajudá-lo. A Cufa e o AfroReggae contam com grande credibilidade entre os jovens das comunidades e, por isso, são excelentes veículos pra essas ações.
R: Ao longo dos anos de exibição do Casseta, muitos produtos foram lançados como livros, filmes, DVDs… Você acha que o humor também pode ser considerado empreendedor?
H: Não sei se o humor é empreendedor, mas muitos humoristas, certamente. O exemplo está nos diversos produtos que vêm sendo lançados: shows, DVDs, canais no Youtube, programas em tevês abertas e a cabo… Tem muita gente usando o humor pra se lançar na vida artística e isso é ótimo para o público e para quem produz.
R: Quando o Casseta terminou, foi divulgado que vocês estavam arquitetando uma nova atração para a Rede Globo. Como anda esse projeto?
H: Estamos trabalhando duro nesse novo projeto. O grupo segue unido, agora vamos assumir também a direção do programa, que terá um formato diferente do que vínhamos apresentando até o ano passado.
R: O que você acha de toda essa onda do “politicamente correto” que ronda o humor no Brasil? A melhor saída é reprimir, ter bom senso, ou não há regras para o humor?
H: Essa onda do “politicamente correto” é cercada de exageros, mas parte de um princípio democrático: se eu tenho direito de falar o que quiser, você tem que ter o direito de dar sua opinião sobre o que eu falo. Quando se parte pra proibir as pessoas de se manifestar, aí já não posso concordar. O humorista pode querer agradar e divertir a plateia – aí ele deve tomar cuidado. Pode estar cagando na cabeça ou simplesmente querendo provocar, incomodar, criar um mal estar – nesse caso, ele se amarra quando rola uma cacetada de críticas.
R: Você é uma figura muito associado à imagem de um bom pai, até mesmo por causa do livro. Como é o Hélio de la Peña pai?
H: A associação é legítima porque me amarro em ser pai. Curto meus filhos, gosto de brincar de conversar com eles, mas também não fujo ao compromisso de educá-los, nem que para isso eu tenha que ser meio mala.
R: Qual foi a experiência ou uma das mais inusitadas que aconteceu com você em todos esses anos de carreira?
H: Desde que comecei a escrever na tevê, em 1988 (fui redator do TV Pirata), muita coisa aconteceu, difícil destacar um episódio. Mas lembro quando a seleção foi pentacampeã, fomos gravar caracterizados de jogadores na orla do Rio, passeando num carro de bombeiros. O povo veio pra rua comemorar o penta, como se nós fôssemos os verdadeiros campeões. Foi muito divertido.
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