Conheça a história da brasileira Mary Valeriano, renomada chef, que há mais de 20 anos vive na Itália
Mary Valeriano nasceu no Rio de Janeiro, era professora primária, mas tinha um propósito maior. Largou a vida aqui tentar a vida na Itália. Vinte anos depois, e com uma vida estabilizada, Mary tornou-se uma chef renomada, proprietária do restaurante Accademia del Tartufo. Já foi tema de reportagens em diversos veículos italianos, e já comentou sobre o urucum em matérias televisivas. Também comanda um festival de gastronomia por lá chamado Panieri, que acontece uma vez por ano.
As receitas de Mary incluem deliciosos pratos tradicionais da região da Emília-Romanha, norte da Itália. Sua grande preferência é a gastronomia italiana mais antiga. O toque brasileiro do menu fica por conta de doces, como o pudim de pão, o doce de leite e a torta de limão. Sobre a ideia de ir para a Itália, tudo começou com um curso.
- Me formei em magistério em 1988. Trabalhava como professora em uma escola primária, e ao mesmo tempo, fazia cursos. Fiz um curso de italiano com um professor do consulado. Através das aulas, fiz muitos amigos italianos e isso me levou a conhecer a pessoa com quem viajei para cá pela primeira vez, em 1990 – conta a chef.
Segundo ela, a adaptação foi bem natural. Já conhecendo a língua e tendo amigos por lá, não foi difícil conviver no país europeu. Aquele namorado acabaria se tornando seu marido, e, assim como ele, a família e os amigos, é claro, se apaixonaram também pelo jeitinho brasileiro de Mary. Quinze dias após a chegada, a brasileira começou a trabalhar em um hotel como garçonete.
- Trabalhar para mim na época foi fundamental para socializar e fora que o salário era muito maior do que o que eu ganhava como professora no Brasil. Trabalhando, conheci muitas pessoas e fiz amizades duradouras que estenderam o meu grupo social para além dos amigos do marido.
Seis anos depois, o casamento acabou, porém, Mary já estava adaptada e decidiu continuar em terras italianas. Já possuía a cidadania do país, e como costuma dizer, se sentia exilada do Brasil.
- Na época, o Brasil estava numa fase muito ruim. Eu fui embora nos anos Collor, e como brasileiro costuma dizer, o bicho tava pegando. Demorei muito para digerir a coisa. Tanto política, quanto social e economicamente falando, o Brasil não me atraía – enfatiza Mary.
Sendo assim, ela continuou por lá garimpando oportunidades. Trabalhou em diversos hotéis, restaurantes, bares, e o que antes era apenas um jeitinho para a coisa, acabou se tornando profissão. Mary elegeu a cozinha como trabalho preferido.
- Tive sorte por trabalhar com pessoas talentosas e com todas aprendi muito, desenvolvendo minhas habilidades. Nunca tive dificuldades, pois adoro cozinhar e amo trabalhar de equipe – conta a simpática chef.
Porém, nem tudo são flores. As dificuldades relatadas por Mary não vieram do fato de ela ser estrangeira, ou da adaptação no país, mas sim na vida cotidiana de divorciada. Com o custo de vida caro e a família longe, as coisas apertaram um pouco. Sem menosprezar o fato de que a Itália lhe estava doando boas oportunidades, Mary insistiu, e mergulhou de vez no delicioso mundo da Gastronomia, investindo em cursos e buscando novas oportunidades. Aos poucos, foi se estabelecendo.
Hoje, as especialidades da chef são as massas frescas, tradicionais ou não, e com recheios inventados por ela. Segundo Mary, as raízes brasileiras transformaram-na em uma pessoa eclética.
- Quando preparo um bufê, posso combinar massas com um delicioso escondidinho de carne seca, tiramisu com doce de leite, e por aí vai, depende da inspiração – gaba-se Mary.
Atualmente, ela comanda um restaurante com um sócio, casou novamente e tem dois lindos filhos. Localizado em Spinello, bairro da cidade de Santa Sofia, província de Forli, o Accademia del Tartufo faz tanto sucesso que vai abrir um pastifício no andar inferior.
As viagens para o Brasil costumavam ser anuais, mas Mary assume que depois que os filhos (de 9 e 7 anos) cresceram e começaram a frequentar a escola, ficou mais difícil conciliar as férias dos pequenos com as longas viagens.
- Já são dois anos sem ir ao Brasil e estou em fase de crise de abstinência. Não é mole não, sinto saudade da família e da minha terra – conta a chef, que completa – o conselho que eu daria para quem quer vir para cá, ou para qualquer outro lugar no exterior, é: aprender o maior número de informações possíveis sobre o lugar, e, principalmente a língua. No mais, é muita força de vontade e espírito de adaptação.
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