O contador de histórias
Quem vê Roberto Carlos Ramos hoje, 43 anos, com seu grande sorriso não imagina que sofrida e, ao mesmo tempo, vitoriosa história tem por trás deste bom humor. Sua infância condenada ao fracasso e sua recuperação renderam até a produção de um filme contando toda a sua vida.
 A trajetória de Roberto Carlos começa aos seis anos de idade, quando ele foi levado por sua mãe para viver na Febem. Vinda de uma famÃlia pobre de Belo Horizonte, nos anos 70, ela acredita que a instituição é o meio mais seguro das crianças terem um bom futuro. Lá, porém, Roberto aprende a fugir, a roubar e a usar drogas. Com 13 anos, já é considerado um caso perdido na fundação.
 Quando o menino é recapturado em uma de suas 132 fugas, ele conhece Margherit, uma pedagoga francesa que está fazendo uma pesquisa com crianças brasileiras. Apesar da insistência da diretora da FEBEM para que ela estude o caso de crianças que se recuperaram, a pedagoga acredita que Roberto pode ser produtivo para ela. No entanto, Roberto Carlos faz de tudo para evitar as aproximações da francesa. Disposta a mudar o foco de suas pesquisas, Margherit é surpreendida quando Roberto invade sua casa, assustado, a procura do único lugar onde recebeu algum cuidado nos últimos anos.
 Com o tempo, esta convivência faz com que Roberto contradiga todas as expectativas e se recupere, tornando-se um grande contador de histórias. O filme Contador de Histórias, de Luiz Villaça, é baseado na história real de Roberto Carlos Ramos, que aos 13 anos foi adotado pela pedagoga francesa Margherit Duvas. Ele se recuperou, formou-se pedagogo e hoje é considerado um dos dez maiores contadores de histórias do mundo. Ramos estudou na França e retornou ao Brasil, onde passou a lecionar e adotou 25 crianças.


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