Ela estava prestes a concluir a faculdade de Jornalismo no ano passado, quando surgiu uma proposta inesperada: se mudar para a Rússia. A jovem Dayanna Alvarenga, ex-modelo de 24 anos, trocou o calor aconchegante das terras brasileiras pelo frio do país vermelho. Os motivos foram muitos: a vontade de ter uma vivência no exterior, fazer novas amizades, a necessidade de se tornar fluente no inglês, e acima de tudo isso, um trabalho missionário em uma igreja evangélica, o Bola de Neve.
- Eu cheguei na Rússia há cinco meses, tudo aconteceu muito rápido e foi bastante emocionante. Toda a preparação, despedida dos familiares e amigos, fechamentos na faculdade… Acho que nunca tive tantas despedidas em minha vida, mas foi bom saber que tenho pessoas queridas para recordar agora.
Hoje, ela mora em uma república com estudantes do mundo inteiro, alguns brasileiros e alguns russos, e claro, passou muitos perrengues para se adaptar.
- Foram muitas as dificuldades. Senti muita falta da minha família e dos meus amigos. A gente sempre quer morar sozinho para ter liberdade, mas quando isso acontece de verdade, dá muita solidão. E fora que a Rússia tem as estações do ano muito bem definidas. Eu saí do Brasil em pleno verão, os termômetros marcavam 35 graus. Cheguei aqui com 25 negativos! – conta ela.
Além do clima, da comida e do idioma serem completamente diferentes, Dayanna confessa que os russos não são receptivos com turistas, principalmente com afrodescendentes. Ela alerta para o perigo que é sair sozinha na rua sendo estrangeira, e principalmente negra:
- Os brasileiros aqui me recepcionaram bem, mas dos russos não posso dizer o mesmo. Acabei confirmando a certeza de que o Brasil
é um país maravilhoso, pois os russos não são muito receptivos a estrangeiros e, principalmente, aos afrodescendentes como eu. Eles são muito frios no tratamento e não tem qualquer tolerância com aqueles que não falam a sua língua, muitos não gostam ou não sabem falar o inglês. Aqui como negra e estrangeira tenho que ter muito cuidado, pois não é difícil se deparar com nacionalistas nas ruas dizendo palavras ofensivas, ou ser maltratado por não ser nativo. Raramente saio sozinha, porque é perigoso. Muitos estrangeiros já foram atacados, por nacionalistas, skinheads, ou torcedores do CSK. Ser estrangeiro aqui é sempre um risco em qualquer época do ano, mas é em dezembro, nas épocas festivas e também no mês de abril – quando se comemora o aniversário de Hitler -, que o perigo aumenta, pois os ataques a estrangeiros são mais intensos e frequentes.
Absurdos à parte, Dayanna ainda não sabe quanto tempo deve ficar em Moscou, mas diz estar ansiosa para ver o verão, que atinge até 35 graus, com clima seco, causando uma sensação térmica que se aproxima dos 47 ou 50 graus. E mesmo com o preconceito sofrido no país, ela gosta de ressaltar o que viveu de bom, como a primavera, que segundo ela, foi o que mais lhe encantou.
- A primavera da Rússia me deixou encantada pela forma como, de repente, tudo o que era branco de neve se tornou verde e florido. Há tulipas e flores nas ruas e nos canteiros que alegram Moscou. As pessoas parecem mais alegres, a vida parece mais feliz e despojada, todo mundo sorri mais. Às 20 horas ainda é sol e é possível ver casais e amigos passeando nos bosques, fazendo piqueniques, é lindo.
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