O negro no futebol brasileiro

Para destacar a presença dos jogadores negros na história do futebol brasileiro e homenagear aqueles que verdadeiramente fizeram deste esporte uma paixão nacional, o Museu Afro Brasil – Organização Social de Cultura e a Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo inauguram  no dia 19 de junho, sábado , às 12 horas, a exposição “De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento. O negro no futebol brasileiro”. A exposição contará com reproduções fotográficas, esculturas, objetos, peças promocionais, caricaturas, textos, publicações e filmes biográficos que incluem personalidades desde Arthur Friedenreich,  futebolista negro que brilhou nas décadas de 20 e 30, passando pelos craques Domingos da Guia, Leônidas da Silva, Castilho, Didi, Djalma Santos, Jairzinho, Garrincha  e o “rei” Pelé, entre outros . A mostra é também uma homenagem ao futebol brasileiro, no ensejo da Copa do Mundo da África do Sul, historicamente a primeira realizada em território africano. A curadoria é de Emanoel Araujo, Diretor-Curador do Museu Afro Brasil.

A exposição toma como base uma extensa documentação pesquisada em órgãos da imprensa brasileira a partir de 1920 até a Copa do Tri Campeonato Brasileiro em 1970, apresentando textos publicados sobre o assunto como “O negro no Futebol Brasileiro”, de Mário Filho; “Negro, Macumba e Futebol”,  do antropólogo alemão Anatol Rosenfeld; as crônicas de futebol  “Á Sombra das chuteiras imortais”  e “A Pátria em Chuteiras”, de Nelson Rodrigues; “A história do Futebol em São Paulo”,  de 1918; biografias dos atletas contemplados na exposição; caricaturas do artista Miécio Caffé , publicadas no jornal A Gazeta Esportiva;  do caricaturista Lan; trechos de filmes de Carlos Niemeyer e do cinegrafista Primo Carbonari;  filmes biográficos de Mané Garrincha e Pelé; além de poesias de vários poetas brasileiros e músicas relativas ao tema.

Edson Arantes do Nascimento, o Rei Pelé, foi cantado em verso, prosa e virou sinônimo do Brasil, por seus feitos nos campos e com a bola nos pés. Na exposição ele pode ser visto em obras que destacaram seu brilhantismo, como nas duas esculturas de Humberto Cozzo, na tela de Aldemir Martins (1973) e na fotografia de Madalena Schwatz (Retrato de Pelé ,1982), entre outras. Vale a pena ver de perto a medalha de prata  do Ano Comemorativo da Despedida (1974) e  as peças, brinquedos e  miniaturas inspiradas na figura do “rei”.  Outra curiosidade é a coleção de caixas de fósforos lançadas na década de 50, com fotos dos Campões de 58, a primeira Copa do Mundo vencida pelo Brasil.

De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento….

Não foi fácil, de começo,  a aceitação do esportista negro no Brasil. Em alguns clubes no Rio de Janeiro e São Paulo essa presença era terminantemente proibida, quanto mais da elite era o clube. É sabido que o Fluminense Futebol Clube, tradicional Clube das Laranjeiras do Rio de Janeiro, o negro não entrava em seus quadros sociais e muito menos na sua equipe de futebol. Assim também era em São Paulo, com Esporte Clube São Paulo. A questão da ambigüidade vive lada a lado em todos os momentos da vida nacional veja esse exemplo: “Ninguém do Fluminense, pensava em termos de cor, de raça. Se Joaquim Prado,winger-left do Paulistano, quer dizer, extrema esquerda, recebido de braços abertos no Fluminense . Joaquim era preto , mas era de família ilustre, rico, vivia nas melhores rodas.”

O futebol seria mesmo cultura brasileira? Seria uma porta de entrada à cultura brasileira? Poderia ser uma porta para ascensão um social do esportista negro?  O homem Negro Brasileiro com suas raízes ancestrais africanas teria no corpo e na alma um especial talento instintivo para esse esporte?  Para responder essas e outras questões da inclusão do homem negro no mundo do futebol a exposição “De Arthur Friedenreich a Edson Arantes do Nascimento. O negro no futebol brasileiro” apresentará o que foi escrito por alguns pensadores, críticos e comentaristas esportivos, suas opiniões, além das imagens que recuperam a trajetória de desportistas negros na história do futebol brasileiro. O certo é que a grande contribuição dos afrodescendentes ao esporte nacional ficou e fica cada vez mais patente, não só no futebol nacional, mais em muitas seleções européias, com presença constante, principalmente nos países chamados de colonizadores do extenso território africano.

O futebol, que nascera do estrato de uma elite social rica e de origem européia, cada vez mais se tornava brasileiro, incorporando nos seus quadros atletas afrodescendentes. Torcedores do povo faziam desse esporte mais nacional, mais brasileiro, as torcidas cresciam e viam nesses astros da bola narcisamente um espelho de sucesso, a popularidade desses se transformava em mania  nacional, uma doença mesmo. Intelectuais, políticos, poetas, escritores, músicos, pintores e cartunistas expressavam suas paixões pela magia da bola que corria nos pés desses desafiadores da gravidade, desses dançarinos soltos no ar, desses requebrados mirabolantes. Príncipes, reis, reis da bola, como o rei Pelé, descrito assim pela verve de Nelson Rodrigues:  “Dir-se-ia um rei, não sei se Lear, se imperador, Jones, se etíope. Racialmente perfeito, do seu peito parecem pender mantos invisíveis. Em suma: ponham-no em qualquer rancho e sua majestade dinástica há de ofuscar toda corte em redor”.

Data Abertura: 19 de junho

Horário: 12 horas

Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s/no. – Parque Ibirapuera – Portão 10

Estacionamento: Portão 3 – Zona Azul

Entrada: Grátis

Término: dia 29 de agosto

Informações: (11) 5579-0593

  • paola

    obrigado pela ajuda estava precisando msm dissso era lição de ksa

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