A nova onda entre os DJs nova-iorquinos é catar raridades do som psicodélico na África. O afrobeat, o funk e o soul dos anos 1960 e 70 são os mais solicitados nas carrapetas desses profissionais, que percorrem toda a Costa Oeste africana, conhecida como a nova mina de sons psicodélicos para gravadoras independentes dos Estados Unidos e Europa.
Um deles é o alemão radicado nos EUA, Frank Gossner. Ele não dispensa nenhuma pista: vai de lojas a rádios, gravadoras, colecionadores, galpões, e por aí vai. “Existe um acervo enorme na África, que durante décadas foi ignorado pelo mundo”, conta.
O DJ descobriu um disco inédito do artista nigeriano Orlando Julius, por acaso, na casa de um amigo. “Ele me mostrou o vinil e eu não reconheci. Entrei em contato com o próprio Julius, que me confirmou a existência do álbum, e disse que a distribuição havia sido pequena. Dois meses depois, fechamos contrato, refiz a parte gráfica e o álbum foi relançado. Mas nem sempre é tão rápido, demorei três anos para relançar um vinil do Psychedelic Aliens”, diz Gossner.
Com este mesmo espírito, a frente da gravadora alemã Analog Africa, Samy Redje garimpa raridades. Chegou a passar três anos na ponte aérea Frankfurt-Acra (capital de Gana) para produzir a coletânea “African scream contest”, disco com 14 canções do Orchestre Poly-Rythmo.
O DJ Iñigo, fundador da gravadora espanhola VampiSoul diz que as redes sociais foram primordiais para estabelecer contato com essa África esquecida. A VampiSoul já relançou discos de nomes grandes como Fela Kuti e Tony Allen.
Essa nova onda de relançamentos está dando uma cara mais groove ao mercado africano de world music, que andava um pouco desgastado. A Europa tem recebido em poucos anos, uma enxurrada de discos novos e artistas já esquecidos, que novamente estão sendo solicitados para cumprir agendas de shows.
A lista de gravadoras com radares ligados nas relíquias africanas é enorme. Além das já citadas, a Strut Record, Luaka Bop, a francesa Oriki Musi, e as inglesas SoundWay e World Circuit, também estão na briga. Estas são apenas as maiores, pois muitas outras estão de olho nesse novo nicho, já que as canções, muitas vezes, não estão disponíveis na internet, o que esquenta mais ainda a procura.
Essa nova onda também influencia artistas do mundo da música a se aproximarem dos ritmos africanos, como o Franz Ferdinand, e o Gorillaz, que gravou um disco inteiro em Mali, em 2002.
Compartilhe essa notícia com seus amigos
dom, 29/04/12 - 10:31 | 0 comentários
qua, 25/04/12 - 18:36 | 0 comentários
qua, 18/04/12 - 10:23 | 0 comentários
dom, 15/04/12 - 12:00 | 0 comentários
qui, 12/04/12 - 13:38 | 0 comentários
Seg, 16/03/2009 - 3:16 | 776 comentários
Dom, 22/02/2009 - 22:43 | 468 comentários
Qui, 05/03/2009 - 0:17 | 393 comentários
Qua, 30/09/2009 - 3:35 | 362 comentários
Qua, 07/10/2009 - 22:37 | 362 comentários