Na infância, Antônia Joyce Venâncio e suas duas irmãs, Lúcia e Cristina não se reconheciam no brinquedo que povoa os sonhos de quase todas as meninas: a boneca. Mas, elas cresceram e resolveram ir à luta. Há 10 anos, tiveram a iniciativa de abrir a loja Preta Pretinha, na Vila Madalena, em São Paulo. Joyce percebeu que a ausência de representação dos negros nos brinquedos era um nicho de mercado. O negócio começou com uma boneca referenciada na própria família e nas bonecas que a avó criava para as meninas. Hoje, fabricam simpáticas bonecas negras de pano e outras com características asiáticas.
Ao longo de uma década, a loja cresceu e continua apostando na diversidade. Entre seus itens: bonequinhas paraplégicas ou anãs e outras com síndrome de Down. Joyce e suas irmãs têm em mente que não basta fabricar modelos mais bonitos, mas é preciso instigar o diálogo nas famílias e na sociedade no sentido de valorizarem as qualidades da raça, tratando suas peculiaridades com naturalidade e a rica bagagem da cultura afro-brasileira com respeito.
Além de São Paulo, os produtos da Preta Pretinha têm conquistado mercados de capitais como Belo Horizonte, Vitória e Salvador. Uma das estratégias para divulgar os produtos é a participação em feiras. O uso de mala-direta tem sido um outro instrumento importante para conquistar clientes, receita a empresária, porque as pessoas gostam de ser lembradas.
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