Com uma carreira cheia de prêmios, novelas, filmes e atuações magistrais, o ator Milton Gonçalves é hoje um dos nomes mais importantes do cenário artístico brasileiro. Seu talento é elogiado e admirado por qualquer um que entenda realmente a arte de interpretar.
Nasceu em Monte Santo, Minas Gerais, em 09 de dezembro de 1933. De família muito pobre, os pais eram catadores de café. Para melhorar de vida, o pai resolveu ir para a capital de São Paulo, onde se tornou pedreiro e a mãe, empregada doméstica. Com mais dois irmãos, a família foi se ajeitando, mas Milton pouco pôde estudar.
Era inteligente, atento e começou a trabalhar cedo em diversas profissões. Quando criança foi babá, depois aprendiz de sapateiro, aprendiz de alfaiate, gráfico, até que teve contato com o teatro. Estava trabalhando em uma gráfica, quando, ao imprimir programas para uma peça, ganhou duas entradas.
Foi assistir ao espetáculo e se encantou. Já tinha ido ao cinema, mas teatro, gente “de carne e osso” fazendo aquilo! A decisão foi rápida, e Milton acabou ganhando um papel numa peça infantil: “O Soldado de Chocolate”, escrita por Pernambuco de Oliveira. Na mesma sala de espetáculos havia uma peça para adultos: “O dote”, onde conseguiu o papel de um escravo, pois Milton é negro, e só “alguns” papéis serviam para ele na época.
Gianfrancesco Guarnieri o assistiu e gostou, e sua carreira deslanchou a partir daí. Foi para o “Teatro dos Novos Comediantes”, depois para o “Teatro de Arena”. Ali estavam os grandes nomes da época, inclusive Guarnieri, Lima Duarte, Chico de Assis, Riva Nimitz e Boal.
Após realizar cursos de interpretação, de dramaturgia, Milton ampliou sua visão do teatro, e começou a atuar na televisão e no cinema. Sofreu e foi bastante perseguido na época da ditadura, chegou a ser metralhado, quando fazia “Grandes Sertões Veredas”.
Milton chegou à TV Globo quando essa era inaugurada e está lá até hoje. Ganhou bons papéis, e aos poucos, foi ganhando personagens mais ousados. Fez as novelas “Véu de Noiva”, “Um Homem que Deve Morrer”, “Selva de Pedra”, “Carga Pesada”, “A Grande Família”, “Baila Comigo”, “Pecado Capital”, “Irmãos Coragem”, “Anjo de Mim”, e muitos outros trabalhos.
Milton rompeu a barreira dos papéis de escravo e pobre. Fez doutores, fez um médium, e coisas de muito gabarito. E também dirigiu. Grandes novelas aconteceram sob a sua batuta, entre elas: “Escrava Isaura”, exibida em quase todo o mundo.
No cinema, também foi bastante festejado e premiado. Com o filme “A rainha diaba”, por exemplo, ganhou os quatro principais prêmios que existiam na época. Fez ao todo, mais de 100 filmes, com papéis grandes e pequenos. Participou também do clássico “Macunaíma”, e contracenou com muitos artistas estrangeiros, como Jacqueline Bisset, Raul Julia e outros.
Casado há 33 anos com Dona Oda, Milton Gonçalves tem três filhos. É religioso, frequenta o candomblé, e é um ser político. Pertence ao PMDB. Foi porta voz das “Diretas Já”, ao lado de Osmar Santos. E sempre esteve nas lides políticas, pois acha que sua obrigação, como cidadão, é lutar por um Brasil melhor, ele que o conhece bem, pois foi operário e é negro.
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