Tim Maia – O pai da soul music brasileira

Em outubro de 1974, o cantor Tim Maia protagonizou a primeira das inúmeras confusões que marcariam sua carreira. Principal atração de um programa de TV, ele surgiu vestido de branco dos pés à cabeça e anunciou que não cantaria seus sucessos radiofônicos. Em vez disso, apresentaria músicas novas, que falavam de um certo mundo racional – uma dimensão mística revelada pela seita Universo em Desencanto, à qual Tim Maia acabava de se converter. O surto esotérico durou pouco mais de um ano e rendeu dois álbuns, Tim Maia Racional Volumes 1 & 2.

 

Essa foi uma das inúmeras polêmicas que envolveram o cantor Tim Maia ao longo de sua carreira. O pai da soul music brasileira começou na música tocando bateria, mas logo passou para o violão. Em 1957, fundou no bairro carioca da Tijuca, onde morava, o grupo de rock Os Sputniks, do qual participaram Roberto e Erasmo Carlos. Em 1959, foi para os Estados Unidos, onde estudou inglês e entrou em contato com a soul music, chegando a participar de um grupo vocal, o The Ideals.

 

Em 1969, foi chamado para gravar em dueto com Elis Regina a sua composição “These Are The Songs” no disco da cantora. A projeção rendeu um convite para um LP, “Tim Maia” (1970), que obteve grande sucesso graças às músicas “Primavera” (de Cassiano) e “Azul da Cor do Mar” (de Tim). Nos anos seguintes, mais discos e mais sucessos, como “Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)”, “Réu Confesso”, “Gostava Tanto de Você” (Edson Trindade).

 

Em 1975, convertido à seita Universo em Desencanto, gravou os dois volumes “Tim Maia Racional”, por sua própria gravadora, a Seroma. No ano seguinte, estava de volta à Polydor e ao repertório secular. Mais sucessos seguiram: “Sossego” (do LP “Tim Maia Disco Club”, de 1978), “Descobridor dos Sete Mares” (faixa-título do LP de 1983, que também trouxe “Me Dê Motivo”) e “Do Leme ao Pontal” (de “Tim Maia”, 1986).

 

Descontente com as gravadoras, Tim retomou a ideia da editora Seroma e da gravadora Vitória Régia Discos, pela qual passou a fazer seus lançamentos. Regravado por artistas do pop (Paralamas do Sucesso, Marisa Monte), Tim retribuiu a homenagem gravando “Como Uma Onda”, de Lulu Santos e Nelson Motta, que foi grande sucesso nos anos 90, juntamente com seu álbum ao vivo, de 1992. De Jorge Ben Jor, ganharia o apelido de “síndico”, na música “W Brasil”, pois Tim era síndico de um edifício no qual moravam muitos artistas, na Zona Sul carioca.

 

Ao longo da década, Tim gravaria discos de bossa nova (um deles com Os Cariocas) e de versões clássicos do pop e do soul (“What a Wonderful World”). Em 1998, no show no Teatro Municipal de Niterói, que seria gravado para um especial de TV, o cantor sentiu-se mal, vindo a falecer uma semana depois. No ano seguinte, seria homenageado por vários artistas da MPB num show tributo, que se transformou em disco, especial de TV e vídeo.

 

Tim Maia era usuário de drogas, não se alimentava bem, e bebia muito. Sua biofragia também rendeu um musical para o teatro, atualmente em cartaz no Teatro Oi Casagrande, na Zona Sul carioca.

 

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