De Vigário Geral para o mundo

AfroReggae-revista-afroHá 16 anos implantando projetos sócio-culturais em comunidades carentes do Rio de Janeiro, o Grupo Afro Reggae tem uma trajetória de sucesso. O grupo nasceu na Favela de Vigário Geral, um mês após o local ser palco de uma das chacinas mais sangrentas do Rio, onde 21 pessoas, mesmo sem ter envolvimento com tráfico, foram assassinadas. O começo como todo projeto solitário e de iniciativa pessoal foi difícil, mas seu idealizador José Junior não desistiu.

Inicialmente, foi lançado um jornal que difundia a cultura afro-brasileira na comunidade. Mas o coordenador executivo pretendia intervir na favela com projetos sociais mais eficazes que envolvessem os jovens e os afastassem definitivamente do tráfico e do subemprego. Foi aí que o grupo começou a oferecer oficinas. Com a ajuda da Associação de Moradores, que cedia o local para os encontros, o grupo começou a ensinar percussão, reciclagem de lixo, capoeira e outras danças afros. Os jovens da comunidade aderiram em massa.

Hoje, o Afro Reggae se expandiu e está presente em mais oito comunidades: Parada de Lucas, Cantagalo, Pavão-Pavãozinho, Complexo do Alemão, Morro do Estado, Honório Gurgel, Paciência e Parque Arará. Assim como os locais, as oficinas também se ampliaram. Agora os jovens têm acesso a técnicas de circo, tai chi chuan, informática, alfabetização de adultos e aulas de teatro. Além dessa presença em comunidades, o grupo faz abertura de shows e apresentações internacionais com jovens e promove ainda atividades para a terceira idade.

Dentre todas as atividades artísticas desenvolvidas, a música tem sido o instrumento mais eficaz para atrair os jovens. Inclusive há um grupo formado só por meninas, o Akoni. Todos esses projetos não se limitam ao estado do Rio. O Afro Reggae tem parcerias espalhadas por todo o país e no mundo, onde as bandas e grupos circenses se apresentam.

A trajetória do grupo foi contada em livro pelo próprio Coordenador José Junior, “Da Favela para o Mundo”, em um documentário “Nenhum Motivo Explica a Guerra” e transformada em filme, sob o título “Favela Rising”.

Depois da perda de um dos seus coordenadores, Evandro João Silva, justamente por conta da violência, um assalto sofrido no Centro do Rio, em outubro, o Grupo Afro Reggae continua tocando seus projetos para afastar crianças do narcotráfico. Mais convencido ainda de que esse quadro precisa mudar. Os resultados alcançados durante esses anos nas comunidades do Rio comprovam o sucesso da iniciativa, que não pode parar.

  • Solange de Fatima

    Bom dia gostaria de saber como faço para conhecer, melhor o projeto Afro Regaae de Parada de Lucas, gostaria do endereço.
    Muito obrigada

    Solange

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