Com apenas 20 anos, ela acaba de ser eleita a pessoa mais cool do planeta pela revista inglesa New Musical Express. Seu rap debochado e suas letras engraçadas estão gerando comparações com a estrela Nicki Minaj. Além disso, a rapper americana Azealia Banks tem recebido elogios fervorosos da crítica, não pela aparência (que não deixa de ser favorável), mas por sua música.
Ainda sem um álbum lançado, porém já negociando contrato com gravadoras, a moça ganhou seguidores com “212″, uma torrente de rimas de alto teor sexual despejada em acelerada cadência sobre uma base de eletropop. Ou seja: Azealia perde a compostura, mas não o compasso.
A canção foi postada no YouTube em setembro — e brevemente retirada, por questões de direitos autorais com o produtor Lazy Jay, que teve sua faixa “Float my boat” sampleada. Hoje, o vídeo de “212″ contabiliza quase 500 mil exibições. As danças marotas, a cara sapeca, a camisa do Mickey Mouse e os cabelos trançados em maria chiquinha criam uma imagem intrigante e atraente para Azealia.
Fazer rap e criar uma imagem cool não são os únicos talentos dessa menina do Harlem, que foi criada pela mãe e por duas irmãs mais velhas (o pai morreu quando ela ainda tinha dois anos). Azealia estudou na escola de artes de LaGuardia, em Nova York, por onde passaram astros do porte de Liza Minelli, Al Pacino e a própria Nicki Minaj. Lá, teve aulas de canto e atuação, chegando a ser estrela de uma montagem musical, “City of angels”.
Azealia tentou seguir a carreira de atriz, mas, como não conseguia avançar, decidiu atacar como cantora. Começou com R&B, mas, aos 16 anos, descobriu o rap. E viu que aquilo dava mais pé do que tudo o que tinha feito antes.
Compostas e produzidas por ela mesma, faixas como “Seventeen”, “The Chill$” e “Supplier” (com batidas do incensado produtor Diplo, que a recrutou para o seu projeto Major Lazer) logo ganharam comentários entusiasmados dos blogs de mp3s, tanto por suas letras desconcertantes, quanto por seus raps fluidos e seus samples de synthpop, disco-punk e outras delícias dos anos 1980.
Descoberta a partir do seu MySpace, Azealia assinou em julho de 2009, aos 17 anos (quando ainda estudava no LaGuardia) um contrato com a XL Recordings, selo inglês que tem entre seus contratados a cantora Adele e a rapper M.I.A.. Ela chegou a iniciar a preparação de um álbum, mas acabou rompendo o contrato pouco tempo depois, ao se desentender com o selo. Nessa época, a garota pensou em desistir da carreira. Mas convenceu-se de que o melhor era usar a raiva e as frustrações como energia para compor raps.
O próximo passo de Azealia Banks é ir para Londres e começar as gravações do que será — enfim — o seu primeiro álbum. Na produção, está Paul Epworth, que tem discos de Adele e do grupo Florence and the Machine no currículo. A ideia da artista, expressa em recente entrevista, é fazer mais faixas no estilo de “212″ (misturando seus raps com alta dose de safadeza a bases de house music) e um pouco de R&B, no estilo de cantoras como Aaliyah. Uma das canções novas com a qual ela se diz mais entusiasmada é “Licorice”, em que fala sobre um caso de amor interracial.
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