Wanderlei Coelho teve uma infância bastante pobre. Ele e o irmão foram criados pela mãe num barraco de madeira da Vila Madalena, nos anos em que o reduto boêmio ainda era habitado pela classe média baixa de São Paulo. Ele foi engraxate, tapeceiro, office boy, motorista de táxi e mecânico. “Meu objetivo era vencer na vida como todo mundo”, diz. Conseguiu. Hoje é dono de uma casa noturna com capacidade para duas mil pessoas em São Paulo, de restaurante, de uma produtora de eventos e sócio de uma construtora. Tem ainda investimentos em locação de imóveis e numa escola primária.
Como chegou lá? Além de trabalhar muito, estudou Direito. Formado, montou um escritório de advocacia, que também funcionava como imobiliária e despachante, mas acabou enveredando pelo mundo dos espetáculos. “Sabia que se estudasse e batalhasse muito, conseguiria sair daquela miséria”, conta. Aos 52 anos, se orgulha de ser dono de uma casa avaliada em mais de R$ 1 milhão em Alphaville, bairro nobre de São Paulo, de uma Mercedes SLK 200, uma Pajero Sport, um Montana e outros 15 imóveis.
Lembramos que inconscientemente as pessoas imaginam que os negros só conseguem ganhar dinheiro no esporte ou como cantor de pagode. Um erro que também se explica com outra estatística: os afrodescendentes são 66% dos 10% mais pobres da população.
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