ENTREVISTA: O LIMCE

Ele é carioca de Duque de Caxias. Poeta, rapper e mente criativa, O LIMCE, ou Luciano Moreira tem muita história para contar e letras de papo retíssimo, cheias de críticas sociais.

A Revista Afro conversou com o artista, que lança seu primeiro EP, “Cavalo de Troia” em novembro e o seu primeiro livro de poesias, homônimo, no dia 13/11, no Teatro Odisseia, RJ, com uma audição de suas músicas.

O LIMCE usa o rap e a poesia como ferramentas de articulação para se expressar e para contar um pouco de suas inúmeras histórias e vivências, de forma acessível e contestadora. Suas letras e textos abordam de um jeito visceral o comportamento humano, além de problemas sociais como o racismo, a pobreza e a discriminação, que O LIMCE viu de perto ao longo de seus 46 anos de idade.

“Nós estamos em constante mudança, e não podemos deixar que ninguém decida as nossas vidas e caminhadas, pois é preciso deixar claro em minha mente que eu respondo pelo que fiz, e farei”.

Confira!

  • Por que você decidiu lançar oseu trabalho autoral somente agora, aos 46 anos?

Porque eu desejei alcançar a maturidade das ideias, enquanto me dedicava à família e vivia nos valores que eu desejei buscar, pois também não os tinha! Pois é esta referência que nos falta no AGORA, não a de antepassados mortos. E se de fato sou ASCENDENTE de reis e rainhas, minha postura não deve ser de um escravo chorão, no mínimo “escravo fujão“ que ascendeu sobre o aspecto de POSTURA!

  • Quem é OLIMCE? Como você se define e sobre o que é a sua música?

O LIMCE se define como uma voz angustiada, que deseja compartilhar a mesma angústia para gerar um desejo de cura no caráter e na alma omissa que se configura por vezes em atitudes doentias no RAP, e na população brasileira de um modo geral.

  • O que o mundo do RAP pode esperar do seu primeiro trabalho?

Estudos de uma vida inteira, pesquisas que não só li ou aprendi teoricamente, mas pus em prática, sem me omitir: COERÊNCIA E REALIDADE, e o que cada um pode aguardar, e sem a chance de fuga!

  • Quais são as suas principais influências musicais?

Minhas inspirações são Michael Jackson, Tim Maia, Roberto Ribeiro, João Nogueira,  Bezerra da Silva e grandes pensadores como Candeia. No rap, Thaíde & DJ Hum, Racionais MCs, Gabriel O Pensador, Criolo, Emicida e Jhow MC que conheci em trabalho de rua em 2014 num evento chamado, Cabo Frio 400 Cores.

  • No que você se inspira para compor e escrever?

Em observações e na postura que eu acho que tenho e/ou pretendo ter. Nós estamos em constante mudança, e não podemos deixar que ninguém decida as nossas vidas e caminhadas, pois é preciso deixar claro em minha mente que eu respondo pelo que fiz e farei, e só!

–    E que mensagem você gostaria de deixar aos jovens que vão te escutar?

A mensagem de real evolução, da morte para a vida, da ignorância para o conhecimento, da omissão para a atitude. Agentes de transformação por onde quer que passemos, sem lesar ou dobrar nada nem mesmo a honra alheia, pois eu construí a minha!