Por falta de emprego e estudo eles trabalham há 20 anos na rua

Quem passa por eles na rua talvez não imagine há quanto tempo estão ali. São 12 horas por dia na atividade que virou uma profissão: a de vendedor ambulante. Seis dias por semana, eles vêm ao semáforo de um cruzamento no Jardim América, em São Paulo, bairro de classe alta. Já são conhecidos de muitos motoristas, dos vizinhos, e é nas calçadas e entre os carros que eles fizeram carreira.

Faltou, para eles, a chance de estudar. Sobrou a responsabilidade de ajudar, desde a infância, os pais a sustentar os irmãos. Três “profissionais do semáforo” contam à reportagem do UOL que encontraram na rua a solução para o desemprego.

Um dos mais antigos no ponto é o Maguila apelido do baiano Raimundo Francisco Santos Paulo, 56. “Só nesse pedaço aqui, nesse quarteirão da rua, eu tenho 25 anos”, ele diz. Garrafa de água mineral e refrigerante em lata, tudo geladinho, e também acessórios para celular é o que ele oferece aos clientes. A venda deve ser feita em 1 minuto e 30 segundos, intervalo durante o qual os veículos ficam parados. A espera para a próxima venda é de 25 segundos de sinal aberto. E já não tem mais espaço para para outros vendedores, além dos sete que estão no local.